16 de julho de 2015

tu.

lembras-te quando combinámos tomar duche juntos? tanta animação, tanto entusiasmo por fazermos uma coisa tão banal que é tomar duche. as vezes que eu imaginei esse momento antes de acontecer, as vezes que o revi depois de acontecer. odeio. odeio esta casa, demasiado pequena, é como uma caixa a rebentar de memórias tuas. por onde quer que eu vá lá tás tu; no sofá, nas cadeiras, no duche, na cama, até no peluche em que tropeço. olho pra ele e rogo-lhe pragas por me trazer sentimentos tão tristes. arranquei dele o coração que trazia entre as mãos, como se isso significasse arrancar o meu. porque de uma maneira estúpida, tu és aquele peluche, com o meu coração entre as mãos. e eu queria poder arrancá-lo das tuas mãos também. as tuas mãos, que são as mais bonitas do mundo, e ao pensar nelas, nem sei porquê, as lágrimas vêm-me aos olhos. lembras-te das vezes que meti a minha mão em cima da tua? a comparar tamanhos. a minha cabia exatamente dentro da tua. e eu não consigo imaginar outra pessoa a ocupar esse lugar... que já foi meu, que eu sei que continua meu. porque como a minha mão, o meu coração encaixava no teu, como uma peça de puzzle. exacto, perfeito. a peça única, e eu não quero que alguém ocupe esse lugar. seja ela quem for, mais bonita, mais culta, mais compreensiva, menos ciumenta, menos controladora. ela pode ser tudo isso, mas nunca será eu. e nunca ninguém serás tu. 

amo-te sexy. 

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