15 de julho de 2015

deixei de ter pena de mim. de me culpar, de encostar a cara na almofada à noite e de gritar, deixei de chorar desalmadamente, deixei de pensar "e se..". deixei de pensar que nunca fui suficiente para ti, sabes que era isso que me fazias sentir? sentia-me pouco, quase nada, sentia-me vazia e fútil, quando dizias que eu era a mulher mais bonita do mundo, e depois reclamavas do meu ser, era como se o meu conteúdo não valesse nada, apesar da minha aparência. tentaste envenenar todos à minha roda, conseguiste que eu ficasse contra alguns, alguns dos quais me abriram os olhos. alguns dos quais que tentaram, aos quais virei costas, gritei e insultei. tudo pra te defender. porque eu fazia tudo por ti. e dizes-me que eu nunca te valorizei. que nunca te agradeci. injusto. só deus sabe as vezes que lhe agradeci, as vezes sorri e disse "ele é o tal.. finalmente." as vezes que te quis perguntar porque demoraste tanto a chegar à minha vida. teimas em acentuar os meus erros, com a ânsia de apagares os teus. mas eu sei que sabes. e que nas noites frias, de Inverno, tu vais-te lembrar de mim, a enroscar-me em ti, a entrelaçar os meus pés nos teus, ou a agarrar a tua mão. vais-te lembrar do cheiro dos cremes, dos risos abafados debaixo dos cobertores, e do tempo que passávamos nos mexericos. há musicas, que nunca escolhemos para nós, mas que caracterizam todos os dias que passamos juntos. há sons, momentos e cheiros que são nossos. eu sei que tu queres apagar tudo, eu também já o quis, eu sei que seria mais fácil passar uma esponja ou ver tudo a ser levado pelo mar como castelos na areia, se eu pudesse tomar uma poção de esquecimento tomava-a agora. mas nem eu nem tu podemos. e as estradas da vida, do quotidiano, que nos levam ao encontro um do outro só nos obrigam a crescer, a sermos mais fortes, a conseguir tolerarmo-nos. se fujo e sinto necessidade de tomar atalhos, é porque o conseguir tolerar-te ainda está muito longe de mim. ainda sou amor. serei por muito tempo. e apesar de já não chorar desalmadamente, sei que irei chorar de maneira silenciosa e fraca, até que um dia não chore mais. 

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