12 de outubro de 2012

favas guisadas.

não, não vou disparatar agora a dar receitas.


se há coisa que eu tenho saudades é de comer favas guisadas, as favas guisadas que só tu, avó, sabias fazer. e são nestas pequenas coisas que mais sinto a tua falta. de comer as tuas favas guisadas, de ver a louça lavada pelas tuas mãos, não há vez que eu sinta o cheiro a café torrado  que não me lembre de ti, todos os dias a torrar café com a tua máquina, no natal das tuas mãos sagradas a desenriçar os piscas, do cheiro do manjericão que tu plantavas e adoravas. do teu cheiro, de ver as tuas roupas, de ver os santos que orgulhosamente dispunhas na cómoda. de estares constantemente a ver a "folhinha". do teu cuidado com tudo. da tua voz, que muitas vezes me ralhava. nem acredito que hoje escrevo estas palavras em cima da tua máquina de costura, ela está aqui comigo sempre, e nem acreditei quando abri uma das gavetas e ainda lá estava um carro de linha teu, ainda com uma agulha. sei que me estás a ver e estás sempre comigo, e podes ver que não falo muito de ti, mas não há dia que não me lembre de ti, só não falo de ti porque isso torna real que partiste e, fazendo mal ou bem, eu gosto de não pensar que morreste mesmo. hoje, avó, vou fazer favas guisadas. as favas guisadas da minha avó. avó do meu coração, para sempre no meu coração.


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