29 de julho de 2011

what friends are for ...

eu tive uma pessoa na minha vida pela qual era capaz de dar tudo. sofri imensas vezes por causa dela e ela só parecia se importar quando lhe passavam as "neuras". foi sempre tudo tão estranho, éramos como as marés, éramos maré alta e tudo estava bem e depois quando vinha a maré baixa estava tudo mal. e eu aguentei isso por muitos e muitos anos. não foram dias, nem meses mas sim anos. tantos como a minha existência. 
por dias pensei que essa pessoa era a minha melhor amiga e outros dias pensei que era a minha maior inimiga, quando na verdade ela era uma espécie de melhor inimiga. uma junção entre as duas que deixou de me agradar, e hoje eu penso e questiono como é que eu pude viver com essa junção durante tantos anos. é duro ao fim de tanto tempo assumirmos que estávamos errados. é duro darmos conta que parte da nossa vida foi levada com tantos desentendimentos. e é mais duro ainda, hoje mesmo depois de tudo, ainda doer como se fossem há 10 anos atrás quando tudo ainda era tão recente e novo.
sinto-me outra vez aquela menina pintada de fresco, a quem borraram a pintura. para sempre. acolhi essa pessoa no meu coração e esperei dela o que rara vez se espera de alguém, e o que também não é muito. esperei dela o que ela sempre esperou de mim. nunca esperei que ela estivesse sempre de acordo comigo mas sim que ela estivesse sempre do meu lado, nunca esperei que ela me compreendesse sempre mas que houvesse sim compreensão, que aceitasse que eu posso errar e me esquecer de certas coisas e que isso não faz com que eu esteja a esquecer-me propriamente dela. mas ela, sempre de mim, esperou o melhor, aquele 100% que muitas vezes não pude dar, não por não querer... simplesmente por não puder. esperou que eu compreendesse que ela não compreenderia nada de mim, talvez tenha pensado que o amor que sentia por ela fosse eterno e duro como o diamante, que nada nunca o iria partir. eu também pensei assim por vezes. e quando lhe disse adeus doeu e relembrei todos os risos e os abraços, toda aquela amizade que parecia passar na minha frente como um filme antigo que já havia, há muito, expirado. e eu era a única ainda sentada na sala, frente à tela esperando ele recomeçar. virei as costas com a vontade de para ela voltar, de esquecer tudo e recomeçar aquela nossa amizade de irmãs, mas com as lágrimas vieram também as lembranças de todas as vezes que eu havia visto as costas dela, de todas as sms's não correspondidas e as chamadas rejeitadas. 
e hoje restam as lembranças, as memórias de uma amizade que não fomos capazes de preservar. hoje existe entre nós uma distância gigantesca, um passar lado a lado sem pronunciar uma palavra, mas sempre existe, eu sei, um olhar que pronuncia aquela palavra que um dia nos denominou: amigas



1 comentário:

a disse...

A-D-O-R-E-I ! está excelente!