23 de maio de 2011

há amores que são para sempre. traçados nos corações, tal e qual como as queimaduras que fazemos em pedaços de madeira. amores destruidores, tempestades, que passam e arrastam consigo detritos que ficam para sempre largados nos pedaços das nossas histórias, amores com nomes próprios, com nomes só e tão deles que é impossível não pensarmos neles de cada vez que os ouvimos.
amores de ferro que enferrujam o nosso coração e deixam-nos com as dobradiças avermelhadas e a ranger de saudade e melancolia; amores que condizem com corações que se fixam em determinados lugares e criam raízes tão fundas que, ao crescerem, levantam o chão à sua volta e com ele, nós mesmo ficamos a levitar num vácuo tão cheio e tão pesado como esses amores. 
são aqueles amores que não esquecemos mesmo que tentemos. são amores dos corações, dos olhos, das bocas, das almas, dos corpos; das mãos dadas e dos lábios juntos. são, maior parte das vezes, amores passados escritos em folhas de papel velhas e rotas, guardadas numa gaveta onde só nós tocamos. amarradas com uma fita vermelha e com um laço para que não os percamos nunca mais. são amores que terminaram em tardes de verão ou manhãs de primavera, no quente de Agosto e que deixaram corações gelados. causadores de lágrimas que rolaram em todas as faces do mundo, de palavras mais cortantes que lâminas, são amores que levam ao sentimento oposto: o ódio. por vezes, amores de jovens que se prolongam até ao fim. 
são amores que vem nos ventos e permanecem na bonança, e por fim, amores que se vão nas estradas de terra batida, onde nós, ao fundo ficamos a ver dizendo adeus. e onde muitos permanecem até hoje. são amores de uma vida, mas acima de tudo são vidas de amor.

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