15 de abril de 2011

- tenho, no joelho uma cicatriz. um rasgo que atravessa o meu joelho de uma ponta a outra. lembro-me do dia em que o fiz. foi numa tarde em que era uma criança e estava a brincar com a minha cadela e cai no chão. lembro-me bem de chorar só por ver o sangue no meu joelho, corri para a minha mãe que me fez um pequeno curativo e eu acabei por ficar bem. 
meio estúpido falar de uma cicatriz para a qual raramente olho, mas ao passar a mão pelo meu joelho consigo sentir o alto dela. como se fosse a querer dizer que ela é real, que as cicatrizes são algo que devemos aceitar. que elas marcam uma história que temos por contar. como se nós, pessoas, fossemos telas em branco. 
muitos não aceitam as suas cicatrizes e querem tapa-las, mas o que devemos realmente perguntar-nos é que história traz aquela cicatriz para as pessoas as quererem tapar? se nós próprios temos cicatrizes que desejamos tapar. 
sejam elas nos joelhos, nas mãos, nas pernas, nos braços ou nos corações. a minha traz uma história bonita, de uma criança e de uma cadela que viveram momentos felizes, e eu agradeço, que tenha algo que me faça lembrar desse momento. algo real. 
afinal, eu gosto de cicatrizes. 

 

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