6 de setembro de 2010

pura imaginação.

- olá Julieta. escrevo-te esta carta, espero que fiques feliz de veres que estou a escrevê-la. não a vais ler pois não? não preciso que a leias porque sei que tu sabes o que sinto. tenho saudades tuas, parece que a cada dia que passa lembro-me de mais pormenores teus. lembro-me que querias imensamente sair daqui, sempre disseste que esta cidade era demasiado pequena para ti, demasiado monótona. embora nunca tenha concordado contigo sempre soube que sim, sempre foste uma estrela e aqui não brilhavas o suficiente sequer. agora estás num lugar onde brilhas muito mais, o que realmente merecias. mas tenho saudades tuas, é incontrolável. os meus dias já não são os mesmos. aliás, a cidade já nem é a mesma. se achavas ela má na altura triplica isso agora e estarás mais ou menos perto. parece que ainda ficou mais triste depois da tua partida. os vizinhos continuam a falar de ti, sempre, e recordam-me sempre dos dias em que íamos saltar para o trampolim que está lá trás, e dos inúmeros trambolhões que davas, achava tanta piada, porque depois levantavas-te e com o cabelo todo emaranhado sorrias e dizias "vamos lá outra vez." convicta de que irias conseguir, agora te digo, a tua falta de jeito para saltar era única, nunca vi ninguém saltar tão descoordenadamente como tu. ontem fui até ao café, está na mesma e continuo a comer aquelas hambúrgueres que adorávamos, íamos lá sempre às quintas. passei tão bons momentos lá contigo... enfim, vi o teu pai. está velho e desgastado, sempre com as mesmas jeans gastadas e a barba tomou-lhe conta da cara, desde a tua ida que ele está assim. já o tentaram ajudar, mas nada feito. vê se lhe dás uma orientação daí. 
esta foi a primeira vez que te escrevi desde que foste embora, espero que não estejas aborrecida. concerteza que estás, já te conheço. mas tenta compreender-me. tenho tantas saudades. do teu cheiro a framboesa e rosas, do teu batom vermelho vivo que deixavas na minha cara descaradamente, do teu cabelo louro platinado. tenho saudades até do teu riso histérico que enchia as salas, de te ouvir cantar ao som de um piano. de ver a tua bicicleta parada à porta da minha casa, da tua forma de andar e da tua maneira super desajeitada de correr. da tua lata descomunal de dizer tudo o que pensavas, és tão sincera que ás vezes é demais. da tua forma de dizeres que eu te amo, de uma maneira tão convencida que me irritava até aos ossos. tenho saudades de ti Julieta, e de tudo o que trouxeste às nossas vidas. 
hoje vais-me ver. hoje vou-te visitar, vou levar comigo um ramo de rosas bem vermelhas, para condizer com teu batom, e vou colocá-las suavemente na tua campa.
até já. 

5 comentários:

Filomena disse...

maravilhosa a maneira como escreves, adorei :)

inês zép disse...

adorei, adorei mesmo *.*
vou seguir :)

RuteRita disse...

Está mesmoooo lindo
adoro

inês zép disse...

de nada! :)

Cátia disse...

Adoro a maneira como escreves :)