7 de setembro de 2010

#4 LETTER TO YOUR SIBLING (OR CLOSEST RELATIVE)

- alexandra: bem, que hei-de te dizer? para ti há poucas palavras, apesar de manteres essa tua aparência de maria-rapaz eu sei, aliás, toda a gente sabe que tu és um coração mole. e aposto que quando leres isto vais ripostar qualquer coisa, porque é assim que tu és e eu não quero que mudes. ainda és muito pequenina, com os teus 13 aninhos ainda tens muito para viver e por isso não te apresses. duma coisa eu me orgulho, tu viveste a tua infância até ao fim, fizeste muitas asneiras é verdade, mas sempre foste assim. nas minhas recordações estás sempre a saltar e a rir, a fazer a mãe zangar-se e a rir também. a tirar o juízo a toda a gente, inclusive a mim. contraditoriamente, tiveste que crescer um bocado rápido demais mas sem nunca perderes a tua inocência e a tua pequenez. olha, nunca mudes, vais encontrar pessoas que te vão meter abaixo e tentar mudar-te mas eu tenho a certeza que tu vais dar uma dessas respostas que só tu sabes e tu é que os vais deitar abaixo. 

- andreia: é estúpido. pensei duas vezes antes de escrever para ti, mas ainda iria ser mais estúpido da minha parte não escrever às minhas duas irmãs. eu sei que isto não vai mudar nada, mesmo não estou a fazer por isso. estás chateada comigo e eu nem sei bem porquê, mas deves ter as tuas razões. mas olha, gosto muito de ti. sei que muitas vezes brigámos e fomos como inimigas, mas acho que faz parte. mas também sei que de outras vezes fomos mesmo irmãs, espero que te lembres da nossa infância e das nossas brincadeiras. do natal, das passagens de modelos ou quando fazíamos músicas em que tu tocavas flauta e eu cantava. partilhámos não só o grau de parentesco, não só a letra inicial dos nossos nomes (A), partilhámos uma infância repleta de bons momentos e brincadeiras únicas. foi muito bom, mas agora crescemos e estamos adultas. mas isso não devia ser sinónimo de deixarmos de partilhar bons momentos.

Com amor,
Adriana.