10 de julho de 2010

memórias.


olá. sabias que hoje enchi dois balões, um rosa e outro azul. as nossas cores preferidas. enchi-os com os últimos fôlegos que me restam por ter que me arrastar mais um dia sem ti,é que aí onde estás não sabes e não te apercebes, mas cansa! a tua ausência cansa involuntariamente, e cansa-me o facto de ter de viver sem ti, é horrível, é devastador e sinto-me imensamente só. então foi assim, eu enchi os balões e fui para o meu jardim, no meio das flores parecia que estavas lá, para sempre a minha flor. umas vezes parece que sei exactamente onde estás, as coordenadas exactas da tua sombra ou de restos da tua existência, ás vezes sei disso e outras vezes baralhas-me e eu fico perdida no meio de um oceano cheio de nada. posso dizer que o teu riso continua cá, ainda o ouço, o passar do vento parece que o traz de volta como se estivesse a fazer-me um favor, como se tivesse pena de mim e do meu coração. em cada sítio que passe é como se estivesses estado lá porque à sempre qualquer coisa que me faz lembrar de ti, my love. costumo ir todas as quintas ao bar do costume, e vou sozinha, porque agora já não há ninguém que vá comigo. não reclames nem me acuses. sabes bem que já tentei inúmeras vezes levar lá outra pessoa, mas passo a odiá-la por vê-la sentada numa cadeira que ainda tem o calor do teu corpo. um ano não é assim tanto tempo, não me chames lenta. posso jurar que a cadeira ainda tem as marcas do teu corpo, ainda tem o teu perfume e o teu calor. posso jurar que se pedir o habitual a empregada irá trazer o habitual, e não irá perguntar "o que é o habitual?". porque não passou assim tanto tempo, e eu não quero que ele passe. tenho medo, ok? tenho medo de esquecer(-te). como se fosse possível... acho que não há volta que o mundo dê que me faça esquecer, ele que experimente! quero vê-lo tentar sem conseguir. porque é que fugiste? porque é que paraste de lutar? porquê? gostava que um dia respondesses, deixasses de ser tão teimosa, tão dengosa, e tão dona do teu nariz. podes perceber que eu preciso de respostas? que tal como tu estavas, estou cansada de sofrer. não há outra palavra que possa expressar o que sinto a não ser o sofrimento. e desculpa apontar-te o dedo mas a culpa é tua. devias ter lutado mais e não teres-te deixado levar. enfim!
hoje enchi os tais dois balões, e deixei um ser levado pelo vento. não imaginas como me custou, parecia tão estúpida, a chorar e sem deixar um balão ir. mas sentia-me como se aquele balão fosses tu, que eu nunca quis que fosse. mas no fim o vento foi mais forte que eu, tal como a vida foi mais forte que tu e venceu-te. odeio-a por isso. assim fiquei eu, a olhar-te a ires rumo à tua nova "vida", ao teu novo espaço, espero que estejas feliz. e assim fiquei eu, em pé, com um único balão na mão e com um sentimento de vazio maior que o mundo e por isso mesmo deixei o outro balão ir ao encontro do teu. porque é assim que eu me sinto. numa busca interminável por ti. ficas sabendo que tal como o vento que me leva, eu não vou parar essa busca.

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