6 de julho de 2010

"a justiça é cega, mas as injustiças podemos ver."

outro dia disse adeus a verdadeiros amigos. um adeus que doeu mais do que eu pensava que iria doer, já me havia imaginado nessa situação mas só quando me vi realmente no meio dela é que tive ciente daquilo que estava a acontecer, às vezes ainda parece que os ouço. há tantas lembranças e memórias espalhadas pela casa. desde aos risos que proporcionaram-nos, às preocupações devido aos desaparecimentos e às alegrias e a verdadeira felicidade do reencontro, até das zangas e dos momentos de ira que nos provocaram. qualquer destes momentos sempre acompanhados por um companheirismo sem igual, por um amor verdadeiro puro. por um dar sem querer receber. por todas as vezes que me aqueceram os pés ou deixaram pêlo nas almofadas e nas roupas, pelo carinho que nem sabiam que me estavam a oferecer quando ronronavam para mim, por tantas vezes eu ter sido injusta e ter despejado neles as minhas tristezas e lamurias e da forma como esqueciam isso no segundo a seguir. pelo amor que deram-me sempre, desde os seus primeiros passos desleixados até à hora que adormeceram num sono eterno. que conseguiu atingir-me com mais força e mais dor que mil balas. não me importo que não haja um poder judiciário para estes criminosos, porque há uma coisa da qual tenho a certeza... mais cedo ou mais tarde os vossos corações irão pesar e as vossas consciências irão ser os juízes que vos irão atormentar até ao fim. disse adeus àqueles que faziam parte da minha família, que foram os meus amigos durante meses e anos, os quais me viram crescer e eu vi-os a eles, que de alguma forma me ajudaram e com os quais eu aprendi. aqueles que vão estar aqui para sempre, no mesmo lugar onde ficaram todos os outros: o meu coração.
"... como se estivesse querendo dizer que a vida continua, mas podemos ser amigos para sempre."

1 comentário:

Anónimo disse...

Continua a escrever. Gostei!