22 de junho de 2010

forever young.


quero viver. mas não quero fingimentos, quero tudo de realidade. ás vezes gostava de voltar a ter 6 ou 7 anos, porque penso que nessa altura é que vivia realmente e agora parece que vivo através de uma motherboard. por isso hoje tenho uma ânsia de viver desigual, talvez amanhã acorde e encare o meu dia como quando encarava com 6 anos. talvez vá acordar e com os cabelos em pé irei saltar da cama, sem me sentir cansada ou pensar "tenho mesmo que me levantar?", vou saltar por pensar nas brincadeiras que me esperam como se elas fossem as coisas mais importantes do mundo, como se tivesse uma responsabilidade enorme face a elas e não pudesse de maneira nenhuma descartá-las! irei correr pela casa com os pés descalços, vou saltar até gastar as minhas forças, vou brincar... sujar as mãos e a cara de terra e ficar feliz com isso. quantos de nós, hoje, ficamos felizes de sujar as mãos com terra? quantos de nós não vão imediatamente a correr para a torneira? pois é... quando tínhamos 6 aninhos ninguém nos via a correr para a torneira para nos irmos limpar, algumas vezes até tínhamos que ser obrigados. talvez amanhã acorde e queira correr pelos campos descalça, talvez caia e me vá ferir, hoje olho para as marcas dos meus joelhos e tenho saudades... tenho saudades dos tempos que ia a correr para os braços da minha mãe a chorar ou de quando fazia o que ela me dizia para não fazer, já tenho tantas saudades de a ouvir ralhar comigo. tenho saudades de poder dizer asneiras e fazer qualquer coisa com a simples e inocente desculpa de ter 6 anos! ás vezes nem parece que passaram 13 anos e se passaram foi mesmo a voar, nem dei por eles ir. tenho saudades de poder comer chocolates sem que ninguém me olhe de lado por o estar a fazer, só porque faz mal há forma. e tenho saudades de chuchar no dedo, das guloseimas que roubava ás escondidas dos meus pais, tenho saudades de me sentar num sábado de manhã no sofá e delirar com os desenhos animados, tenho saudades dos cereais! não sei porquê parece que agora eles tem um sabor totalmente distinto. saudades de poder chorar só porque quero e rir à descarada no meio da rua só porque alguém tropeçou, de poder dizer aquilo que quero e que me apetece e toda a gente achar piada, tenho saudades que alguém me toque no cabelo e me diga que sou "tão lindinha". tenho saudades de ser pequena e de alguém me pegar ao colo, de quando me perguntavam "o que queres ser quando fores grande?" eu dizia "nada, eu não quero ser grande!" e batia o pé, porque podiam bater o pé comigo mas eu certamente furaria o chão. o tempo passou, o relógio marcou horas incontáveis, e o calendário nunca esperou por mim, eu é que tive sempre que o acompanhar. fui perdendo a inocência, fui perdendo a pequenez, mudei de menina para mulher, e os outros começaram a ver-me como uma pessoa grande. mas sabem que mais? isso é só o que os outros vêem, porque no fundo, cá dentro, eu continuo a ter 6 anos e hei-de voltar para o meu baloiço quando eu quiser, porque não preciso que vocês, gente grande, me dêem balanço.

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