2 de junho de 2010

eu+tu=?


Rótulos? Não, obrigada. Porque é que eu e tu temos que ter um nome específico, porque é que as outras pessoas têm que perceber? Só a nós nos diz respeito, só nós dois temos que entender e acima de tudo sentir o que se passa nessa pequena mas gigantesca área que há entre nós. Nós é que estamos lá dentro, e se nós não precisamos de lhe dar um nome então não vamos dar. Não interessa nada o que os outros vejam em nós, a visão deles sobre ti nunca vai ser igual a minha.
Prefiro guardar-te como um segredo que andar por ai a desfilar-te como se fosses uma nova peça de roupa. Talvez ninguém me entenda porque toda a gente faz isso, desfilam-se por aí, com as suas novas conquistas como se fossem peças de roupa. O verdadeiro problema e também a maior verdade é que acabam por se fartar, mancham-nas e rasgam-nas, ás vezes sem querer, cansam-se dessas peças. Elas deixam de servir porque se tornaram gordos e grandes demais para elas, ou até pequenos, e então compram novas peças, acabando sempre por cair no mesmo erro de mostrá-las com o maior sorriso na cara, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde essa moda irá passar.
Eu encaro(-te) sempre cada pessoa que pelo meu coração passa como uma estação. Dentro dele tenho de tudo: um Inverno, que me deixa com uma sensação de nostalgia; Um Outono que me faz lembrar de recordações que eu achava já se terem apagado; Uma Primavera que me apaixona. E tu? Tu és um Verão. Um sol constante que brilha no meu céu, uma razão de felicidade. Porque tu fazes desbotar o meu sorriso exactamente como o sol faz com as flores.
Então repito-me vezes e vezes sem conta, porque é que precisamos de rótulos? Porque é que eu e tu temos que ter um nome? Eu não quero dar-nos um nome. Os nomes são para sempre. E eu não quero que tenhas sempre o mesmo nome, quero que sejas angústia, tristeza, felicidade, nostalgia, amor, saudade, alegria, riso, choro, e outras tantas. Porque é isso que tu significas para mim, eu não nos vou dar um nome porque nós somos um dicionário inteiro.


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