23 de julho de 2015

as pessoas tendem a dizer-me que não estou a sofrer, que sou forte, que aguento e que já passei por pior. isto tudo por me riu. e as pessoas esquecem-se de quantos sorrisos deram com vontade de se desmancharem em lágrimas... que eu riu porque eu não aguento estar sempre a chorar, que eu não quero ser sempre forte, eu só quero que alguém me console, me façam festas no cabelo e que me digam que vai ficar tudo bem. só quero que me mostrem o caminho, porque a verdade é que eu não sei o que estou a fazer, é como se andasse às voltas, a tentar fazer o melhor que posso, e a falhar constantemente. por mais que eu faça nunca é suficiente, nunca sou suficiente, nem para mim nem para os outros. 
quando me dizem que não aparento estar a sofrer, só gostava de gritar na cara dessas pessoas que elas nem sonham a dor que trago. o peso que o meu coração tem, as vezes que ele tem sido partido. porque muitas delas nem sonham, e procuram o amor em todo o lado, como eu já procurei. e elas nem duvidam, não fazem a mais pequena ideia de que as vezes, só um ama de verdade. 

20 de julho de 2015

i love him

"i loved how his eyes danced merrily,
and the gentle way he spoke;
the way he filled my aimless days,
with bitterness and hope.

I loved him as i fell to sleep,
and each morning as I woke;
I loved him with all my wayward heart
until the day it broke."

e eu?


sento-me à porta. acendo um cigarro e olho para as estrelas. ao falar comigo mesma mentalizo-me que finalmente consegui dizer adeus. em mim há uma certa tristeza, uma incerteza se era mesmo isto que eu queria, apesar de ser aquilo que eu preciso. deixa-mos todos meterem-se numa coisa que era só nossa, e embora eu consiga não deixar que comandem os meus sentimentos, tu não. não tens culpa, vais aprender com o tempo a ser feliz por ti, que a tua felicidade só a ti te diz respeito, que as pessoas tem sempre algo a dizer, porque quando a vida não é a nossa, é tão fácil aconselharmos. desejo do fundo do coração que encontres a felicidade que tanto procuras, lamento que eu não ta tenha dado, espero que um dia possamos sentar-nos ao lado um do outro e falar disto; sem nos magoar-mos mais, sem nos ofender-mos, sem que ouças as opiniões dos outros acima dos meus sentimentos. um dia vais entender que as vezes que eu te disse que te amava estava a ser sincera. 

16 de julho de 2015

tu.

lembras-te quando combinámos tomar duche juntos? tanta animação, tanto entusiasmo por fazermos uma coisa tão banal que é tomar duche. as vezes que eu imaginei esse momento antes de acontecer, as vezes que o revi depois de acontecer. odeio. odeio esta casa, demasiado pequena, é como uma caixa a rebentar de memórias tuas. por onde quer que eu vá lá tás tu; no sofá, nas cadeiras, no duche, na cama, até no peluche em que tropeço. olho pra ele e rogo-lhe pragas por me trazer sentimentos tão tristes. arranquei dele o coração que trazia entre as mãos, como se isso significasse arrancar o meu. porque de uma maneira estúpida, tu és aquele peluche, com o meu coração entre as mãos. e eu queria poder arrancá-lo das tuas mãos também. as tuas mãos, que são as mais bonitas do mundo, e ao pensar nelas, nem sei porquê, as lágrimas vêm-me aos olhos. lembras-te das vezes que meti a minha mão em cima da tua? a comparar tamanhos. a minha cabia exatamente dentro da tua. e eu não consigo imaginar outra pessoa a ocupar esse lugar... que já foi meu, que eu sei que continua meu. porque como a minha mão, o meu coração encaixava no teu, como uma peça de puzzle. exacto, perfeito. a peça única, e eu não quero que alguém ocupe esse lugar. seja ela quem for, mais bonita, mais culta, mais compreensiva, menos ciumenta, menos controladora. ela pode ser tudo isso, mas nunca será eu. e nunca ninguém serás tu. 

amo-te sexy. 

tão nós.

"você me conta uma história
eu te escrevo uma poesia
você sorri para mim
eu acendo um cigarro
você tosse com a fumaça
eu finjo que não ligo
você me olha nos olhos
eu tento evitar
você vira a cara
eu saio do bar
você segue os meus passos
eu sinto o seu cheiro
você pára e espera
pois sabe que eu vou voltar."


15 de julho de 2015

deixei de ter pena de mim. de me culpar, de encostar a cara na almofada à noite e de gritar, deixei de chorar desalmadamente, deixei de pensar "e se..". deixei de pensar que nunca fui suficiente para ti, sabes que era isso que me fazias sentir? sentia-me pouco, quase nada, sentia-me vazia e fútil, quando dizias que eu era a mulher mais bonita do mundo, e depois reclamavas do meu ser, era como se o meu conteúdo não valesse nada, apesar da minha aparência. tentaste envenenar todos à minha roda, conseguiste que eu ficasse contra alguns, alguns dos quais me abriram os olhos. alguns dos quais que tentaram, aos quais virei costas, gritei e insultei. tudo pra te defender. porque eu fazia tudo por ti. e dizes-me que eu nunca te valorizei. que nunca te agradeci. injusto. só deus sabe as vezes que lhe agradeci, as vezes sorri e disse "ele é o tal.. finalmente." as vezes que te quis perguntar porque demoraste tanto a chegar à minha vida. teimas em acentuar os meus erros, com a ânsia de apagares os teus. mas eu sei que sabes. e que nas noites frias, de Inverno, tu vais-te lembrar de mim, a enroscar-me em ti, a entrelaçar os meus pés nos teus, ou a agarrar a tua mão. vais-te lembrar do cheiro dos cremes, dos risos abafados debaixo dos cobertores, e do tempo que passávamos nos mexericos. há musicas, que nunca escolhemos para nós, mas que caracterizam todos os dias que passamos juntos. há sons, momentos e cheiros que são nossos. eu sei que tu queres apagar tudo, eu também já o quis, eu sei que seria mais fácil passar uma esponja ou ver tudo a ser levado pelo mar como castelos na areia, se eu pudesse tomar uma poção de esquecimento tomava-a agora. mas nem eu nem tu podemos. e as estradas da vida, do quotidiano, que nos levam ao encontro um do outro só nos obrigam a crescer, a sermos mais fortes, a conseguir tolerarmo-nos. se fujo e sinto necessidade de tomar atalhos, é porque o conseguir tolerar-te ainda está muito longe de mim. ainda sou amor. serei por muito tempo. e apesar de já não chorar desalmadamente, sei que irei chorar de maneira silenciosa e fraca, até que um dia não chore mais. 
escrevo todos os dias, com esperança de deitar pra fora tudo aquilo que a minha garganta teima em deixar traçado, ninguém me entende. todos me dizem frases clichés que eu não quero ouvir. todos me tentam ver tudo de bom que tenho na minha vida. mas de que vale uma vida cheia de tudo, se não tenho quem me faça o coração bater mais forte? se não tenho alguém que me diga que me ama, que me aceita com todos os defeitos, com todas as merdas, com todos os erros que eu possa cometer. quem é que vai ressuscitar as borboletas que tenho mortas na barriga?

14 de julho de 2015

13 de julho de 2015

dizes que entendes a minha dor, mas não. estou magoada. estou furiosa, contigo mas principalmente comigo, sinto que é tudo culpa minha, sinto que quem te deu o meu coração fui eu. dei-to, coloquei-to nas mãos e fui embora, à minha vida, estúpida ignorante, a pensar que tu irias cuidar bem dele. perguntas-me como estou, porque é que finges, porque é que finges que te importa o que sinto? quando sentes que o meu interior está destruído, partido em bocados e eu não sei onde encontrar todos os cacos que tu deixaste. ignoro as tuas mensagens, tento ignorar o teu olhar, mas na minha cabeça o teu nome ecoa, o meu coração grita, mas sinto-me cansada.. cansada de tentar, cansada de correr e não chegar a lado nenhum, cansada de te dizer que és tu que quero e que te amo. cansada de tentar fazer-te ver o que toda a gente vê.
por isso estou aqui calada, a ignorar-te da melhor maneira que consigo, deixei-te para trás e ficaste com o meu coração nas mãos. podes largá-lo. já nem quero saber.